sábado, 20 de outubro de 2007
Urbenauta - Contos de Cemitério
Escolhi este texto do sr. Urbenauta, pois trata de um dos mitos mais recorrentes das histórias urbanas: a noiva do cemitério. Não é mágica a contraposição de busca do amor, através do enlaçe matrimonial e sua decorrente finitude em morte trágica? Na seqüência, o personagem desmascara a fraude apontando ser o véu uma mera edição do jornal verspertino. Estranho. Vale o confronto casamento e abandono.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
E O POVO Ó.....
PRESTEM ATENÇÃO NAS NOVAS PLACAS DO ESTAR (ESTACIONAMENTO REGULAMENTADO)
EM CURITIBA, ANTES ERA FÁCIL DE IDENTIFICAR, TÍNHAMOS AS PLACAS VERDE
(VEÍCULOS COM CAPACIDADE ATÉ 1.8 TON. ). E AS PLACAS LARANJA (CARGA E
DESCARGA ACIMA DE 1.8 TON)
AS NOVAS PLACAS SÃO BRANCAS COM PEQUENOS DETALHES QUE IDENTIFICAM AS
CATEGORIAS, VERDE E LARANJA.
MAS O PIOR DE TUDO É QUE A CATEGORIA VERDE ESTÁ SUB-DIVIDIDA EM:
1 VERDE: ONDE TODOS PODEMOS ESTACIONAR.
2 VERDE: EXCLUSIVO PARA MAIORES DE 65 ANOS
3 VERDE: EXCLUSIVO PARA DEFICIENTES
OU SEJA, COM TRÊS CATEGORIAS DE VERDE, AO ESTACIONAR PROCURE TER CERTEZA DE QUE NÃO ESTÁ INVADINDO O ESPAÇO DESTINADO AOS IDOSOS E AOS DEFICIENTES.
NÃO QUE SEJA ERRADO PRIORIZÁ-LOS, O ERRO (SERIA ERRO MESMO?) ESTÁ EM
COLOCAR PLACAS TÃO SEMELHANTES QUE ACABARÃO POR RESULTAR EM PESADAS
MULTAS.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Policiais Assaltantes
Uma viatura policial desceu a rua transversal com as luzes apagadas. Será que estavam à procura de um bandido?
Perto dali um senhor muito bêbado que mal conseguia andar se esforçava carregando uma bicicleta velha.
Os policiais desceram da viatura, falaram com o pedestre e jogaram a bicicleta no buraco. Bateram bastante no bêbado, tiraram a carteira dele do bolso, jogaram o homem sobre a bicicleta e riam ao dividir o dinheiro do moribundo.
Vocês conseguem imaginar este senhor chegando a casa dele, ainda cheirando a álcool, todo machucado, contando que foi agredido e roubado por policiais?
É revoltante!!! Esta é a segurança que temos aqui em Curitiba...
Artista de rua
"Vou ali e volto já"! Ritmo de música do nordeste que chama atenção na rua XV de Novembro, em Curitiba. Uma dupla de repentistas atraí os transeuntes que passam em frente à Boca Maldita. Os dois homens tiram da sacola dois pandeiros e uma garrafa pet de dois litros de água. Começam a fazer um círculo e gritam "venham até o meio do círculo, venham". Os dois homens passam a batucar energicamente no pandeiro. Levantam as vozes no burburinho. Em pouco tempo várias pessoas se aglomeram em volta dos músicos, que ficam envolvidos pela embolada nordestina.
Em rimas construídas com rapidez de corisco, os pernambucanos Pardal da Saudade e Ivan Embolador elaboram em poucos, uma crônica arguta sobre tudo que está acontecendo ao redor. "Esse rapaz está desempregado/ parado nos observando/ com litro de pinga na mão/ agarrado na placa/ para não cair no chão", Embolador provoca um rapaz que diz ser de Minas Gerais.
Pardal puxa da sacola uma amostra do CD gravado por eles. "Quem quiser comprar o nosso CD que, não é pirata, é apenas R$ 10,00". Um rapaz grita – "quero um, por favor". Tira da sua carteira R$ 20,00 e Pardal diz a as pessoas – "o jovem gostou tanto do CD, que deu o dobro". Após agradecer a atenção, na pura linguagem tradicional do canto nordestino, os dois se despedem do público e vão para outro lugar se dissolvendo na paisagem da cidade. As pessoas se dissolvem aos poucos, com o sorriso estampado no rosto, seguindo seus caminhos.
Dirceu C. dos Santos
O alternativo, a parte e o todo
Salve salve um dos pioneiros da 'mídia alternativa', Gregório de Matos - o "Boca do Inferno".
domingo, 2 de setembro de 2007
O preço da sociedade
Social pra quem? Isto sim todos deviam se perguntar. Segurança? Onde existe isso? As famílias de bem terão que pagar a conta das inúmeras vidas perdidas por falta de comando de todas as esferas de poder neste país. Ou simplesmente o poder das drogas impera por aqui?
Como dizia a música... Até quando esperar? Até se acostumar... O simples baseado defendido por alguns hipócritas levou a vida de uma menina de 18 anos. Quem agora vai dizer a família Caron que um simples baseado não faz mal a mingúem...
Quatro jovens apresentados... Uma vida perdida... Muita diversão... Muito choro... Esperança? Em quê?
Vivemos dias de uma guerra civil anunciada. A população necessita de repostas práticas. De soluções a serem vista a olho nu. Não podemos mais agüentar a sensação de saber de que um filho sai com amigos para sua diversão, e pode simplesmente não voltar.
Alguns adolescentes delinqüentes deste país acham tudo uma zona. Onde se pode fazer o que quiser e a punição será alguns dias em algum reformatório pago por nós mesmos. Onde eles se rebelam e queimam colchões, onde fazem reféns aqueles que ainda cuidam de suas vidas.
Pais, mães e a sociedade em geral precisam dar um basta nesta situação. Ficar em casa esperando a pior notícia não mudará esta visão que temos pela tela de nossas televisões. O perigo está ali fora...
Esperamos que os políticos deste país começassem a tomar as providências que devem ser tomadas para que esta guerra não estoure em suas cabeças. Porque a sociedade está cansada de pagar a conta... e pra ressaltar sua importância lembrem que eleições vem ai....
Vocês, políticos, podem ver a hora de pagar a conta... e com juros e correção monetária , como dizia alguém por ai.
Com a vida por fio, ou melhor, uma mordida
Depois...
Olha o que eu vi hoje na frente do Centro Cívico, e era dia claro de domingo 02/09/2007, Pasmei!!!
Com índios...
Sábado conheci e fiquei amiga de uma indiazinha de 15 anos, na Ilha da Cotinga, Comunidade dos Indios Guaranis. Ela é tradutora das mulheres e crianças da tribo, fala duas linguas: A lingua materna que é a Guarani, e lingua Portuguesa.
Histórias de “bonde”
huahuahuahuahuahua
E o negócio lá da firma deu certo? Puxa, que bom, mas não esquenta a cabeça que com aquelas paradas é susse... hahahahaha
Quinta-feira, 22h15, saída antecipada da faculdade, o ônibus não estava tão lotado. Uma voz feminina narrava a conversa acima, que dava para ser ouvida de qualquer lugar no ônibus. Uns três quilômetros de percurso e a conversa continuava:
- Não, não sei o que vou fazer ainda não, mas a gente vai se falando...
huahuahuahuahuahua
E com tantas gargalhadas e conversas chamando a atenção, talvez não pudesse deixar de acontecer. Um rapaz que estava logo atrás começou a imitá-la com as gargalhadas. Depois participou da conversa como se fosse com ele que ela estava falando. Pronto! O espetáculo estava montado. Todos no ônibus começaram a olhar para os dois. Por alguns momentos o rapaz se conteve de vergonha, mas a moça que estava falando no celular era como se nem tivesse percebido que estavam tirando sarro dela.
No destino final, cerca de cinco quilômetros de percurso, onde todos os passageiros devem desembarcar, houve algum temor:
- O rapaz, se a mulher vier tirar satisfação era você que tava zuando. Livra o meu!
E a conversa no celular continuou, talvez em um tom mais baixo, ou simplesmente foi confundida com a algazarra dos transeuntes do terminal. Todos se dispersaram, pois cada um foi para seu ponto de ônibus. A moça faladeira que não se importa em chamar a atenção e nem com as sátiras dos outros foi esquecida em meio a correria para não perder a hora. Talvez alguém se lembre do que ela fez algum dia, ou quem sabe, mesmo sendo tão chamativa, já tenha caído no esquecimento...
O guardador de carros
Qual é o público do sr.?
Olha mais gente de fora. Turista.
E como são os curitibanos?
Rapaz, a maioria é mão fechada. Mas tem uns que ajudam.
E o sr. cobra adiantado pelo serviço?
Não, não dá porque tem gente que paga 1 real, 2 reais, até 5 reais pagam. Então deixo por conta deles mesmo.
E muita gente vai embora correndo sem pagar?
Ih, bastante.
O que você faz nessa situação?
Não dá pra fazer nada. Não tenho como sair correndo atrás, mas dá vontade.
O porteiro do Jardim Botânico
Então sr, como é trabalhar aqui?
Gosto muito daqui, é tranqüilo.
E como é o pessoal? Os chatos fazem o quê?
A maior parte do pessoal não dá problemas. Vem, olha, anda e pronto. Mas tem gente que não entende que aqui é um Jardim Botânico. Não é um parque. Então o que acontece, é gente querendo entrar de bicicleta, com os cachorros, jogar bola. Daí a gente explica, sabe?
Tá. E já aconteceu algo interessante?
Vixe e como. Duas semanas atrás mesmo briguei com um cara aí.
Ah é, e por quê?
Ah, tem uns caras que ficam debaixo da ponte ali olhando as calcinhas das mulheres (aponta para a ponte sobre o lago artificial) quando tá quente. Eu passei por ali e o cara me perguntou o que eu estava encarando. Eu disse que nada. Depois ele saiu e ficou do outro lado da rua me xigando de corno, fedaputa. Daí eu sai, e fui lá. Se atracamos bem ali (mostra o canteiro no meio da rua).
E aí, ganhou a luta?
Dei umas porradas, como também levei.
Poty Lazzarotto
Quem nunca andou por Curitiba e já não viu os painéis criados por Poty Lazzarotto? Poty, nascido em Curitiba a 29 de março de 1924 foi, sem dúvida, o maior artista plástico paranaense do século 20. Era um mestre em todos os sentidos. O patrimônio histórico deixado por ele deve ser preservado por todos os cidadãos. Sua genialidade deve ser estudada por qualquer um que queira seguir nessa linda profissão. Obrigado Poty.Bosque de Portugal
É numa ponte que reúno o pessoal para conversar. Não preciso ir longe para estar com a natureza.
Por fim, não deixem poluir o parque do seu bairro, valorize-o. Dê vida a ele.
sábado, 1 de setembro de 2007
O cheirinho do verde em nossas narinas...
Caminhar pelos parques de Curitiba é padecer no paraíso. Você se impressiona com a limpeza e o verde exuberante. As crianças sempre sorrindo, saltitantes e serelepes com seus algodões doces e saquinhos de pipoca. Os patos do parque do Bacacheri e os jacarés do Barigüi completam estas lindas paisagens. Porém, ao anoitecer, coisas estranhas começam a acontecer. Aquelas brasinhas numa roda de 3, 4 , 5 pessoas aumentam e diminuem o tempo todo. O que será? Um vaga-lume? Não. Vaga-lume é verde. Para descobrir, basta se aproximar da roda. Um cheiro de bosta de vaca queimada logo irá penetrar em suas narinas. Mas o que você pode fazer? A própria polícia faz vista grossa. A maioria dos fumantes da "erva natural" são menores de idade. Prender não adianta. O negócio é deixar rolar e ver o que acontece.Foto tirada no Parque Tanguá.
As coisas simples
Nessa comunicação externa distribuiria o informativo institucional e conversaria com as pessoas sobre como tinham sido informadas sobre o bazar de importados da Afece (Associação Franciscana de Educação ao Cidadão Especial). Porém, além de executar a atividade de comunicador, trabalhei de tira dúvidas e vendedor. O interessante de realizar essas funções é poder observar as diferentes reações das pessoas. Na divulgação as pessoas se sentem em situações invasivas e acabam, poderíamos dizer, fugindo. Na área de vendas querem, logicamente, alguém que os atenda rápido para irem logo embora da “muvuca” que estava esse dia, na sede administrativa da entidade no Tarumã. Estranham se o vendedor fala demais e não gostam se falam pouco. Resumindo dois setores que enfrentam dificuldades para agradar a todos.
Opa, mas a atividade de tira dúvidas é uma beleza (risos), se você conhece a instituição e sabe passar as informações, os agradecimentos são diversos: - “Pô valeu mesmo brother” ou “Muito obrigada, você é muito querido”.
É, às vezes funções simples, são as mais valorizadas e recompensadas.
Valorize-as.
Na realidade isso é um aspecto lógico, mas é um bom registro.
Diego Binder
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Fumódromo em Curitiba
O lugar parece uma praça, possui os banquinhos, pintados de branco, para dar um ar “clean” e até plaquinha para os que não sabem onde estão.
Curitiba inova e sai mais uma vez na frente das outras capitais. Será que vão começar aprovar projetos para o povo em mais uma jogada inédita no país?
A TV é uma bunda ou uma bunda é como a TV?
Faces coloridas da cidade cinza?
Literatura Paranaense e o Catatau de Paulo Leminski
O texto está saindo assim, saído, porque fiquei sabendo que era para torná-lo alternativo, dando-lhe adornos mais arejados.
Voltando à identidade cultural de Curitiba, apenas dois autores daqui figuram em pé de igualdade com o que há de melhor no País: Dalton Trevisan e Cristovão Tezza.
Conheço o Cristovão e tudo, não pessoalmente a ponto de ele saber meu nome, mas porque vi duas palestras dele. Coloco-o na reduzidíssima lista, pois, a mídia vem falando bem de seu último livro, no qual traz à tona a angústia de pai de um deficiente físico. O que já li dele, porém, não me entusiasmou tanto, 'O Trapo', com o perdão do trocadilho, é feito dos mesmos farrapos que o título sugere.
Dalton Trevisan, por outro lado, é inquestionavelmente o grande autor da cidade. Narra o que poucos vêem, ou o que todos vêem e não narram. Como era o Rio de Janeiro de João Antônio, dos pobres desdentados, dos sujos, bêbados, tarados, assassinos, e dos cruéis. Quem não se lembra da história da reportagem que o Valdir fez sobre ele? Trevisan deve ter sido um dos poucos escritores locais a ter os textos traduzidos em outras línguas. E por que será isso?
Pode ser por não usar o rapapé que tanto critica, empregado pelos '10 mil imortais da Academia Paranaense de Letras', diria ele.
Mas para explicar o sucesso de Dalton é preciso recorrer à frase batida do escritor russo Liev Tolstói "Canta sua vila e será universal", e assim ele é.
Gostaria de deixar pano para as mangas. Quem sabe alguém pode me refutar. Aliás, conheço mais gente que não gosta da literatura do sr. Trevisan do que o contrário.
Encerrando, lá vai um excerto do livro Catatau de Paulo Leminiski, um curitibano tranqüilo, que computou entre suas amizidades Caetano Veloso, Alceu Valença, Haroldo Campos, Pedro Xisto, entre outros. O livro é um extensíssimo paragráfo único de 269 páginas. No léxico do autor está o latim, holandês antigo e várias outras línguas. É para não dizerem que não tivemos (paranaenses) um Guimarães Rosa, né? Transcrevo à guisa do livro.
"O Triunfo dos Trouxas. A Quarta Fachada. A Jurisdição dos Brutamontes. A Ferrosimilhança dos Destalhes. O Percurso das Calamitates. Impulso para a queda. O engraçado mora longe. Atalhou a modo de exemplo: adonde?"